Em 2025, o Brasil alcançou a marca de R$ 4,5 trilhões em despesas primárias, um valor que nos desafia a compreender com clareza como cada real é alocado. Se, no campo público, a evolução dos gastos cresce a um ritmo de R$ 100 bilhões por mês, no âmbito pessoal muitos de nós sentem dificuldade em equilibrar receita e despesa. Neste artigo, vamos explorar o panorama das finanças públicas e pessoais, oferecendo insights e ferramentas para que você assuma o controle do seu dinheiro.
Os dados da plataforma Gasto Brasil mostram que, em 2025, o país atingiu marcas de gastos com muito mais rapidez que em 2018. Em apenas 77 dias, consumimos R$ 1 trilhão, enquanto em 2018 levamos 104 dias para chegar ao mesmo valor. Esse desequilíbrio estrutural entre receitas e despesas indica urgência em adotar medidas de contenção e reforma.
Do total de despesas, as duas maiores categorias são Previdência Social e Pessoal e Encargos Sociais, que juntas somam cerca de 60% dos gastos. Se adicionarmos investimentos e inversões financeiras, chegamos a aproximadamente 65% do total. Mais de 60 itens são agrupados em 28 categorias, mas apenas 11 concentram 96% dos gastos.
O déficit fiscal alcança cerca de R$ 1,5 trilhão quando confrontamos os R$ 4,5 trilhões de gastos com R$ 3 trilhões de arrecadação. Marcus Pestana, da IFI, define esse cenário como insustentável a médio e longo prazo se não houver reforma administrativa eficiente e necessária. A consequência imediata é o aumento da taxa de juros, que encarece investimentos e freia a economia.
Além disso, o gasto público em relação ao PIB subiu de 40,9% para 47,2% entre 2010 e 2025. Isso implica maior endividamento e pressão sobre a iniciativa privada, resultando em menor confiança do mercado e menos vagas de emprego. Mesmo com reservas internacionais e balança comercial positiva, a instabilidade fiscal ofusca esses pontos positivos.
No âmbito individual, 49% dos brasileiros gastaram mais no primeiro semestre de 2025 em comparação a 2024. Entre as metas financeiras, quase metade pretende manter contas em dia, mas apenas 40% revisitam esses objetivos ao longo do ano. O planejamento financeiro consciente e duradouro é a chave para evitar surpresas desagradáveis.
Os principais obstáculos são o aumento de custos essenciais (29%), dívidas de cartão e empréstimos (21%) e despesas inesperadas com saúde (13%). Para superar essas barreiras, adote o controle rigoroso das despesas mensais e revise seu orçamento trimestralmente. Utilize aplicativos de gestão e mantenha um fundo de emergência equivalente a ao menos três meses de gastos.
Especialistas defendem um novo pacto fiscal envolvendo União, estados e municípios, aliado a uma reforma administrativa que estimule o desenvolvimento. No nível pessoal, renegociar dívidas com juros altos e cortar gastos supérfluos são passos essenciais. Direcione parte de sua renda para investimentos de baixo custo, como fundos de índice, e invista em educação financeira para fortalecer habilidades de tomada de decisão.
Caso atue como empreendedor ou gestor público, priorize a revisão de contratos e a adoção de processos de licitação mais eficientes. A transparência e a responsabilização são pilares para reduzir desperdício e direcionar recursos a setores estratégicos, como saúde, educação e inovação.
O Gasto Brasil e o Impostômetro são ferramentas de transparência e monitoramento que empoderam cidadãos. A plataforma Gasto Brasil permite ver em tempo real despesas da União, estados e municípios, detalhando gastos por poder e categoria. Já o Impostômetro, com mais de 20 anos de história, mostra quanto cada pessoa paga em impostos.
Ao usar essas ferramentas, você inspira uma cultura de cidadãos conscientes e engajados ativamente. Compartilhe informações, participe de iniciativas de controle social e pressione representantes para adotarem práticas fiscais responsáveis. Assumir o controle das finanças públicas e pessoais fortalece a democracia e constrói um futuro mais próspero para todos.
Referências