Em um país onde milhões ainda enfrentam problemas de endividamento, a formação de hábitos saudáveis relacionados ao dinheiro desde a infância pode mudar rumos e construir um futuro próspero. A educação financeira para os pequenos é mais que escolhas pedagógicas: é um investimento social.
O Brasil conta com mais de 200 milhões de pessoas bancarizadas, mas o letramento financeiro não acompanha esse avanço. Muitas famílias sofrem com o endividamento: em agosto de 2025, 71,7 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, um aumento de 9,2% em um ano.
Pesquisas mostram que 85% dos pais discutem a importância de uma vida financeira saudável com os filhos, mas apenas 39% oferecem mesada regularmente. Enquanto isso, 72% não fazem poupança ou investimento para a próxima geração. É urgente criar pontes entre o conhecimento formal e a prática familiar.
Apesar de 68% dos pais afirmarem que as escolas deveriam ensinar finanças pessoais, apenas 21% da população de classes A, B e C recebeu esse tipo de instrução na infância. Mais de metade nunca teve acesso a conceitos como juros simples e compostos, reserva de emergência ou análise de crédito.
Entre jovens de 18 a 30 anos, 47% não controlam gastos e 65% contribuem financeiramente para o lar, mas poucos planejam ou poupam. A falta de hábito e informação abre espaço para o endividamento precoce e até apostas online: mais de um terço dos apostadores têm entre 16 e 29 anos.
Para enfrentar esses desafios, diferentes projetos surgem como luz no fim do túnel. Plataformas digitais, jogos educativos e parcerias público-privadas começam a impactar escolas e famílias em todo o país.
O movimento ganha força com histórias reais. Nathalia, de 16 anos, aprendeu a calcular juros e evita armadilhas do cartão de crédito. Miguel, de 15 anos, organiza seus gastos em planilhas, identificando desperdícios.
Diana, de 18 anos, traçou planos de vida baseados nas finanças controladas, enquanto Arthur, de 20 anos, revelou: "A educação financeira transformou minha relação com o dinheiro".
No Senado Federal tramitam três projetos de lei para tornar o tema obrigatório na grade curricular. O PL 5.950/2023, o PL 1.510/2025 e o PL 3.329/2025 preveem desde contenção obrigatória até campanhas de conscientização com 1% do orçamento de publicidade institucional.
A mobilização popular aponta que a medida mais citada para avançar é tornar a disciplina obrigatória em todas as escolas, garantindo igualdade de oportunidades.
A semente plantada hoje produzirá frutos duradouros. Ao unir esforços de famílias, educadores, legisladores e tecnologia, podemos construir uma geração segura para tomar decisões financeiras conscientes.
Comece agora: converse sobre dinheiro em casa, explore ferramentas lúdicas e apoie iniciativas escolares. Juntos, transformar a relação com o dinheiro deixará de ser um sonho e se tornará realidade, fortalecendo o futuro de milhares de crianças e adolescentes.
Referências