A rápida evolução do setor financeiro no Brasil tem revelado uma tendência clara: a união de forças entre bancos tradicionais e startups inovadoras. Ao conectar o melhor de dois mundos, surge um ecossistema mais dinâmico e inclusivo, capaz de atender às demandas de um público cada vez mais exigente e digitalizado.
No cenário latino-americano, o Brasil se destaca como centro de inovação. Em 2025, o país abriga mais de 1.700 startups financeiras em operação, representando 58,7% de todas as fintechs da região. Esse volume expressivo reflete não apenas o espírito empreendedor local, mas também a confiança de investidores em apoiar modelos de negócios disruptivos.
Nos primeiros meses de 2025, o Brasil concentrou 40% dos dez maiores aportes em fintech no primeiro trimestre, totalizando bilhões de reais em investimentos. Esse fluxo de capital reforça a posição do país como líder regional e oferece uma base sólida para que as fintechs se desenvolvam e conquistem novos mercados.
Pesquisas da Fincatch apontam até 1.844 fintechs em atividade, sugerindo que o mercado pode superar as estimativas oficiais e oferecer espaço para nichos ainda inexplorados. Esse ecossistema vibrante se alimenta da diversidade de modelos de negócio, desde plataformas de investimento até soluções de crédito para pequenas empresas.
A experiência do usuário tem sido o grande diferencial das fintechs. Pesquisas recentes mostram que, entre clientes que usam tanto bancos digitais quanto tradicionais, 55% dos entrevistados que utilizam plataformas digitais declararam preferência por serviços digitais. Esse movimento indica uma mudança de comportamento, em que conveniência e rapidez se sobrepõem a práticas bancárias convencionais.
Os dados da consultoria PwC Brasil e da Associação Brasileira de Fintechs mostram que a tendência de preferência por bancos digitais vem crescendo ano após ano. A transformação digital acelerou hábitos duradouros em meio à pandemia, criando novos padrões que hoje ditam o ritmo do setor.
Instituições como Nubank, Inter e C6 Bank têm conquistado milhões de contas, forçando gigantes do setor a repensar suas estratégias e modernizar suas operações para não perder relevância.
Embora a percepção de competição seja natural, muitas fintechs enxergam os bancos tradicionais como parceiros estratégicos. Segundo dados de pesquisa, 35% das startups financeiras consideram grandes bancos como aliados em potencial, enquanto apenas 18% os veem como concorrentes diretos.
Esse cenário abre espaço para um modelo de complementaridade, em que cada parte cede pontos fortes para criar soluções mais robustas e abrangentes. Confira na tabela abaixo um comparativo das principais contribuições de cada ator:
A co-criação de novos produtos financeiros, como serviços de gestão patrimonial integrados e seguros personalizados, exemplifica o valor de combinar a expertise bancária com a flexibilidade das fintechs para experimentar novos modelos de pricing e atendimento.
Vários hubs de inovação criados por grandes bancos já demonstram como a cooperação pode gerar valor mútuo. O Cubo, do Itaú, e o Inovabra, do Bradesco, facilitam a interação direta entre executivos bancários e empreendedores, acelerando projetos e favorecendo trocas de conhecimento.
Esses exemplos ilustram diferentes formatos de colaboração: desde programas de aceleração até aquisições e aportes estratégicos. Cada formato possui características próprias, mas todos contribuem para um ambiente mais competitivo e inovador.
Outro caso promissor é a parceria entre fintechs de blockchain e bancos, voltada a rastrear operações e reduzir fraudes, demonstrando como tecnologias de ponta podem se aliar a estruturas tradicionais para garantir mais transparência e segurança.
O ecossistema de Open Finance, oficialmente lançado em 2021, impulsiona a integração de serviços bancários e soluções de fintech. Com autorização do cliente, dados financeiros podem ser compartilhados entre diversas instituições, fomentando a criação de produtos personalizados e mais eficientes.
Em 2024, 44% das fintechs já participavam ativamente desse modelo, contra 28% em 2023. Bancos, por sua vez, planejam aumentar investimentos no Open Finance em 65% em 2025, reforçando a importância de uma visão colaborativa para atender às novas expectativas do mercado.
Embora 44% das fintechs já usem o Open Finance, o engajamento do consumidor ainda é desafio. Estudos indicam que menos de 30% dos clientes entendem completamente como compartilhar seus dados de forma segura. Campanhas de educação financeira e UX aprimorada são essenciais para aumentar a adesão e desbloquear todo o potencial desse ecossistema.
O fortalecimento das parcerias depende diretamente do aporte em infraestrutura digital. Em 2025, as instituições financeiras brasileiras direcionaram Orçamento total tecnologia 2025: R$ 47,8 bilhões, demonstrando comprometimento com a transformação digital.
O crescimento do orçamento tecnológico acompanha a escalada de concorrência: bancos e fintechs buscam não apenas modernizar sistemas legados, mas também incorporar ferramentas de automação e segurança cibernética para proteger dados sensíveis de clientes.
Projetos-piloto de soluções baseadas em IA já têm mostrado ganhos de até 20% em eficiência operacional. Além disso, a adoção de APIs padronizadas facilita integrações e acelera o lançamento de novos serviços no mercado.
Apesar dos avanços, a colaboração enfrenta barreiras importantes. Protocolos regulatórios rígidos podem atrasar a integração de inovações e demandam esforços conjuntos para equilibrar segurança e agilidade. Além disso, a falta de padronização entre sistemas e a baixa conscientização do público sobre Open Finance ainda limitam o potencial de expansão.
Um ponto crítico é a harmonização de culturas organizacionais. Startups, acostumadas a ciclos curtos de desenvolvimento, podem se chocar com a burocracia interna dos bancos, exigindo metodologias de gestão de mudanças e governança ágil.
Reguladores acompanham os avanços com atenção. O Banco Central do Brasil tem promovido consultas públicas para aperfeiçoar normas do Open Finance, buscando equilibrar a proteção dos consumidores com o fomento à inovação.
No entanto, o futuro aponta para uma convergência ainda maior. Modelos híbridos de serviços financeiros, que combinam expertise bancária com soluções especializadas de fintechs, devem se multiplicar, oferecendo produtos customizados e adaptados às necessidades específicas de cada cliente.
À medida que as parcerias se consolidam, o Brasil fortalece sua posição no cenário global, exportando conhecimento e tecnologias para outras regiões. A expertise em pagamentos instantâneos, Open Finance e crédito digital torna-se um verdadeiro passaporte para a internacionalização de players brasileiros.
Em síntese, a colaboração entre fintechs e bancos tradicionais representa um fenômeno transformador, capaz de redirecionar toda a paisagem financeira nacional. Ao unir inovação e solidez, as instituições não apenas ganham eficiência, mas também ampliam a inclusão financeira, promovem competividade e elevam o padrão de atendimento ao cliente.
Referências